Ansiedade é muito, muito ruim, dizem os especialistas. Pode até se transformar numa síndrome, ocasionando diversos transtornos, entre eles o descontrole da pressão arterial, um perigo para tiozinhos.

Eis uma definição livre da ansiedade, retirada da também livre Wikipédia: ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.

Encarar um problema e resolvê-lo, por mais complexo, doloroso e inesperado que ele seja, pode ser muito mais fácil do que conviver com a ideia de um problema que ainda está para surgir e em relação ao qual não se pode fazer nada por enquanto. Esse estado de apreensão com algo que pode nem se realizar é matador!

Outra definição clássica de ansiedade, que aqui se aplica perfeitamente: ansiedade é o medo do futuro

       Um dos inúmeros fatores geradores da ansiedade, para ficar somente em alguns, é o medo do futuro, de como ficarão os filhos, pra quem ficarão os bens... e por aí vai. Acho oportuno reproduzir o que escreveu um escritor francês, Léry, quando chegou ao Brasil em 1557, época em que Nicolau Durand de Villegaignon tentou desenvolver o projeto de estabelecer no Rio de Janeiro a 'França Antártica', uma colônia que serviria à exploração mercantil e abrigaria os protestantes huguenotes, perseguidos na França. No livro Viagem à Terra do Brasil, Jean de Léry documentou a incompreensão de um nativo em relação à necessidade de acumulação de bens por parte dos colonizadores.  Um velho índio tupinambá, no século XVI  (pois já no século XVII) não mais existiam índios tupinambás), conversando com mairs (franceses) e perôs (espanhóis), pois não compreendia o mercantilismo de então e o apego desenfreado ao vil metal e ao arabutã (pau-brasil):

"Uma vez um velho perguntou-me: Por que vindes vós outros, mairs e perós (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como supunha ele, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com seus cordões de algodão e suas plumas.

Retrucou o velho imediatamente: E porventura precisais de muito? - Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. - Ah!, retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhes dissera: mas esse homem tão rico de que me falas não morre? - Sim, disse eu, morre como os outros.

Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso, perguntou-me de novo: E quando morrem, pra quem fica o que deixam? - Para seus filhos, se os têm, respondi: na falta destes, para os irmãos ou parentes mais próximos. - Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros mairs e perôs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem. Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.