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DivulgaçãoA polêmica é longa e não tem previsão pra terminar, mas vale a pena conhecer os dois lados da história 

Por Maria Joana Casagrande

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Na safra 2009/2010, foram 23,6 milhões de hectares ocupados, o que totalizou uma produção de 68,7 milhões de toneladas. A safra brasileira fica atrás apenas da norte-americana, que colheu 91,4 milhões de toneladas no mesmo período. Somente no Paraná, segundo maior produtor do Brasil, são 14,181 milhões de toneladas de soja, de acordo com informações da Embrapa.
Trata-se de um grão versátil, que pode ser utilizado para produção de embutidos, laticínios, bebidas, além de base para nutrição animal e outras áreas industriais. É muito utilizado como óleo refinado, havendo também pesquisas sobre o uso para fabricação de biodiesel.

UEM e soja transgênica

DivulgaçãoO professor do Departamento de Agronomia, Alessandro de Lucca e Braccini, conta que existe uma série de trabalhos sendo feitos na UEM sobre a soja RR, bem como parcerias com empresas nacionais e multinacionais para desenvolvimento de pesquisas sobre soja transgênica. O professor explicou que o papel da Universidade nesse processo é a formação de recursos humanos, ou seja, profissionais que seguirão para as empresas parceiras para trabalhar na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
O conhecimento produzido até o momento não permite posicionamentos definitivos sobre qual a melhor opção para plantio, se a soja convencional ou a transgênica. Só fica claro que os estudos e pesquisas precisam continuar a serem feitos e, inclusive, ampliados para que o produtor rural possa fazer sua opção baseado em fatos e não em “achismos”.
Os sites da Embrapa (http://www.embrapa.br/), da CTNBio e da própria Monsanto (http://www.monsanto.com.br/) trazem artigos e tópicos que se aprofundam na temática.

A soja a ser semeada pode ser convencional ou transgênica. O grão convencional não possui alterações genéticas, ao contrário do segundo tipo, uma forma de organismo geneticamente modificado (OGM). Os OGMs são produzidos pela transferência de genes de um ser vivo para outro. Isso é feito para que o novo organismo desenvolvido seja mais resistente e diferenciado em relação a determinadas características do organismo original. 
A soja transgênica, ou Soja Roundup Ready® (soja RR), é resistente ao uso do herbicida glifosato, permitindo a utilização do produto mesmo após o plantio. O Glifosato é um tipo de herbicida não-seletivo e sistêmico, de amplo espectro, ou seja, que atua em toda a planta e pode ser utilizado contra vários tipos de ervas daninhas em diversos tipos de cultura. Pode ser aplicado no preparo para o plantio, dessecando (secando) a área aplicada e matando as plantas atingidas em pouco tempo. No caso da soja convencional, isso não seria possível, em decorrência de sua sensibilidade ao herbicida. 
Segundo o professor do Departamento de Agronomia (DAG) da UEM, Alessandro de Lucca e Braccini, a soja RR possui uma enzima modificada (EPSP sintase), o que lhe confere resistência ao uso do herbicida Glifosato, mesmo após o plantio. Esse tipo de semente foi desenvolvido ainda na década de 1980, visando maior produtividade por hectare plantado e reduzindo os custos de produção, conforme informações da Monsanto, detentora da patente. A soja RR foi aprovada para plantio nos EUA, em 1994, e passou a ser cultivada pelos norte-americanos já em 1996. A aprovação no Brasil aconteceu apenas em 2005, com a publicação da Lei de Biossegurança (lei nº 11.105/2005).
 

Regulamentação – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é um órgão dirigente do Ministério da Ciência e Tecnologia, criado em 2005, pela Lei de Biossegurança. A função do CTNBio é  “prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a OGM, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam a construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de OGM e derivados” (http://www.ctnbio.gov.br). 

“Espera-se para a safra de 2011/2012 que a Soja BtRR2®, também conhecida como soja intacta, desenvolvida pela Monsanto, já esteja aprovada e liberada pela CTNBio para uso”, afirma Braccini. Trata-se de uma segunda geração de sojas transgênicas que, além da tolerância ao glifosato, apresenta maior eficiência no controle de insetos mastigadores. A expectativa é que a produtividade da BtRR2 seja semelhante a da soja convencional, uma vez que a da soja RR fica abaixo desse patamar.
O engenheiro agrônomo formado pela UEM, Rodolfo Cézar Bueno, explica que, na prática, após o plantio, não é possível diferenciar as variedades de soja diretamente na planta crescida. No entanto, existem processos pós-colheita que permitem a classificação dos grãos em convencional e transgênico. Isso é necessário porque em alguns locais e regiões a comercialização de soja geneticamente modificada não é aceita, obrigando a realização do processo de diferenciação.
 
 
 

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