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A HIPOCRISIA É O IMPOSTO QUE O VICIO PRESTA À VIRTUDE
 
      A lei é boa. A lei é dura. Mas é lei.  Dura lex sed lex, notadamente as leis dos crimes contra a ordem econômica, a administração pública, sistema financeiro e de ordem tributária. Reza uma sentença latina que “sob um bom traje se esconde uma má procedência” (obscurum vestis contegit ampla genus). Essa máxima cai como uma carapuça no caso em análise – o caso Daslu. Mas o Brasil premia a aparência de mérito muito mais que o próprio mérito, pois certas pessoas ilustres que deveriam luzir um bom comportamento, ao contrário, ofuscam as leis e desfilam as mais belas etiquetas em detrimento de cidadãos que, em trajes velhos e andrajosos, a cobrir a nudez, arcam com os impostos descontados diretamente na fonte, em folha. Como é cediço, nos casos de crimes de “colarinho branco”, o bem jurídico mais prezado pelo criminoso, por excelência, são os seus bens e sua subtração seria a melhor forma de apenar o homo pecunia.  Pena de perda de bens que até hoje o legislador não regulamentou plenamente, tal qual preconiza o artigo 5º, XLVI, ‘b’, da Carta Magna.   Note-se que nos EUA, país capitalista por excelência, tal lei já é aplicada.
      Um rosto para si mesmo, outro para a multidão e para a mídia. Enganaria, alguém, a tantos por tanto tempo? Como não há aplicação imediata da pena, o criminoso conta com o beneplácito da Lei e o tempo a correr a seu favor, tendo, sob o braço, um CPP arcaico e permeado de recursos e furos que lhe são benéficos.
      Agora o discurso oficial e a voz de comando manda caçar os pedófilos internautas e os criminosos de colarinho branco, mas os ditames de um poder paralelo (a mídia) só faz despertar o furor e causar a indignação social, não querendo, de forma alguma que o crime regrida. Os crimes e criminosos, ao longo dos séculos, vêm ganhando gradações diferentes. Antigamente a Inglaterra fazia a Guerra do Ópio e ninguém se lhe opunha. Mas era a poderosa Inglaterra... Os poderosos têm dinheiro e influência, ao contrário dos fracos, pobres e oprimidos. Agora a pedofilia e o colarinho branco são os “bola sete”, ou seja, os demônios da vez são os pedófilos e os criminosos de colarinho branco.  Não que pedofilia e crimes de colarinho branco não existissem no Brasil – Não ! O que ocorre é que a imprensa falada e escrita deu-lhes uma matiz e outra dimensão, movida pelas ondas midiáticas estadunidenses e européias.   Na Alemanha são os turcos que incomodam, na Espanha os estrangeiros que ameaçam o mercado de trabalho.
      Mas a Polícia Federal segue incólume e cumpre o seu papel.  No Brasil, a polícia em geral vai de acordo para onde sopram os ventos da mídia, porém esbarra em algumas pedras no caminho: um CPP arcaico, um judiciário venal, OAB conivente e cada vez mais corporativista, “direitos humanos” com visão embotada e um STF antes policial que guardião da CF, tanto que editou a súmula vinculante número 11 que se refere ao uso de algemas.   Usar ou não usar algemas. E agora, José ?

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