OS TRES LEÕEZINHOS
Era uma vez, numa determinada floresta, uma leoa-mãe havia dado à luz 3 leõezinhos bem bonitinhos: O Rax, o Rix e o Rex. Um dia o macaco, representante eleito dos animais súditos, malandro e puxa-saco, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e...
 
Você é nosso visitante número:
Visitantes online
O melhor, mais ilustrado e completo site de fábulas e contos do mundo é brasileiro.
 

    Era no tempo do Rei. Cuius rex, eius religio. Antes que prossiga, e antes de sofrer qualquer ação penal, religiosa ou cível, quero deixar bem claro que meu posicionamento não é teológico, mas laico, secular; não sou ativista ateu, tampouco extremista islâmico, mas sim judaico-cristão de formação. Por ocasião da posse do 44º presidente dos US&A, Barack Hussein Obama, veio à tona o fato tradicional de se prestar juramento sobre uma Bíblia com a célebre frase: “so help me God” (tradução livre: que Deus me ajude !). Obama é cristão de formação... E se fosse islâmico, teria chances ? E digamos que, mesmo islâmico, mas que fosse o melhor governante do mundo... Mesmo assim, naquele País, não teria chances.  

   Dirão: Mas é tradição... Pugno que, independentemente do que reza a história e a tradição há que se respeitar os direitos civis, constitucionais e também religiosos. Muito se lutou para que o sectarismo fosse banido do Estado. Por que esquecer-se disso? Por que ainda existem símbolos religiosos nas instalações públicas dos poderes legislativos e judiciais e no dinheiro se louva a Deus? In God we trust, diz a moeda. O que tem a ver moeda com religião? Pergunta-se: E por que motivo ou razões não estava também ali presente, na posse, um exemplar da Torá ou do Corão ? Por que as outras religiões foram destronadas da cerimônia ? Seria de bom tom tirar referências religiosas de qualquer caráter das práticas do governo de qualquer país que se autointitule democrático, secular e laico. A simples menção a deus ( deus aqui nesse caso é um título e não um nome) exclui de forma rasa os cidadãos de outras crenças e não-crenças que são parte representativa do povo no discurso proferido à nação. Fosse lá um discurso à parte, particular, tudo bem, mas é o discurso do presidente da nação, discurso esse que engloba a todo cidadão. Onde está o regime de igualdade ? As pessoas e os indivíduos podem fazer e proferirem o que quiserem, contanto que seja como indivíduos isoladamente; mas como representante meu e da nação, como cidadão não pode dizer que “nós”, como povo, acreditamos nesta ou naquela divindade. “nossa” senhora da aparecida. Desde a Constituição de 1891 o Brasil separa o Estado da religião. Separa, em tese. No Brasil, na posse presidencial, há sempre uma batina negra, urubuservando. A intromissão de correntes religiosas na política das nações vai de encontro à laicização que apregoa que o Estado deve ignorar qualquer religião. O anticlericalismo é uma perspectiva política e não epistemológica ou metafísica. Assim também Jesus Cristo criticava os sacerdotes de sua época os quais nunca se contentavam nem estavam satisfeitos com os limites do mundo espiritual, imiscuindo-se sempre na política e na secularizazção. Túmulos caiados.  A fábrica de "santos ".  A virgem Maria "padroeira do Brasil", uma "deusa" de fato, segundo os preceitos católicos engrossa o já inflado panteão dos santos, os semideuses antigos da mitologia grega, forjados para aumentar, com poderes de intercessão, conforme o querem os padres. E diga-se de passgem alguns com muitas especialideaes.

    É a aparecida deles, mas não minha. Aí não está minha voz nem foi dado o meu voto de anuência para que fosse eleita “padroeira” do Brasil. E se ativistas de cultos de magia negra resolvessem intitular “nossa” mãe do Belzebu, alguém gostaria de pronunciar isso ? Assim que pugno pela separação absoluta entre Igreja e Estado. O Estado deve ficar de fora, separado da religião, como teorizava Lutero, visto que não é um estado teocrático, mas sim democrático e que ao Estado está vedado o exercício de qualquer orientação confessional. Defendo tanto os que acreditam quanto os que não acreditam. Se dissessem que Deus não existia, também contra os tais tremulariae desfraldaria a minha bandeira de defesa. Há que se tratar as pessoas e crenças de forma igualitária. Desde o início do século XX, nos estados democráticos modernos, em maior ou menor grau, é aceita a separação entre qualquer religião e o Estado. No estado Democrático de Direito a laicidade do Estado vem junto com o princípio de garantia da liberdade de expressão, mas para que exista esta garantia o Estado deve ignorar qualquer religião. As instituições do Estado devem ser neutras. É um avanço importantíssimo na história das organizações políticas. O Laicismo é uma doutrina filosófica que apregoa a limitação da ação dos grupos organizados em torno de uma religião. Os partidários desta doutrina consideram que toda organização religiosa limita a liberdade de expressão. Portanto limitando a atividade religiosa estaria se fomentando a livre e espontânea expressão. Esta corrente surge a partir dos abusos que foram cometidos pela assim chamada “igreja”. O laicismo teve seu auge no fim do século XIX e no início do século XX. Hoje existem correntes de pensamento mais tolerantes quanto a não combater a religião em nome da razão. Hoje é aceito que a religião é um fenômeno cultural da humanidade que deve ser respeitado e tolerado. não combater a religião em nome da razão. Algumas correntes religiosas são muito tolerantes. Outras, no entanto, como os evangélicos pentecostais, tendem aos extremismos e podem até chegar a cometer atos violentos contra aqueles que não professam a sua fé. Lembrem-se do pastor batendo na imagem da Senhora de Aparecida dos Católicos que foi veiculada por um canal de tv há alguns anos. Em diversos países, em diversas culturas, a laicidade tem tomado também formas diversas. Nos países com história de fortes conflitos religiosos, a laicidade toma formas extremas, se manifesta de maneira mais exacerbada. No caso da França a incorporação da laicidade teve como resultado a eliminação gradativa dos conflitos religiosos no século XIX e ainda, nas escolas, dos símbolos religiosos de qualquer natureza.     

     A recente polêmica aberta sobre a proibição do uso ostensivo de símbolos religiosos por parte dos estudantes na França (mais especificamente do véu das meninas muçulmanas nas escolas públicas), mostra como o tema ainda está em aberto. A laicidade originada da luta anticlerical, da luta contra os grupos religiosos que queriam (e conseguiam) dominar o Estado (reprimindo os partidários das outras seitas), acabou se impondo, mas mesmo hoje, continua tendo interpretações diversas. A Turquia é um dos poucos países não-cristãos, que instaurou de maneira radical o modelo laico ocidental. Em 1924, com a queda do império otomano, Ataturk empreendeu uma reforma radical abolindo o califado,, adotano o código civil suíço, abolindo as confrarias religiosas, dentre outros. Proibiu-se o uso público de roupas religiosas (turbantes nos homens e véus nas mulheres), adotou-se o calendário gregoriano e o descanso aos domingos. O ensino religioso tradicional foi substituído pelo ensino moderno e laico. o Alfabeto árabe foi trocado pelo latino. Reforma tão radical influenciou profundamente o mundo muçulmano e lançou a Turquia na Comunidade Econômica Europeia. Mas, por ter sido tão radical, por não ter sido feita de forma gradual, essa reforma ainda gera resistências muito fortes. Hoje, o ressurgimento do fundamentalismo islâmico naquele país, estimulado pelo recrudescimento do conflito entre judeus e palestinos e pelas intervenções militares ocidentais no Oriente Médio traz o risco de promover um retrocesso que instaure uma ordem política ainda o pior que aquela vigente antes da reforma. Um outro país latino-americano inspirou-se na França para adotar uma laicidade mais radical. É o caso do Uruguai. Citando o meu tio, um grande educador uruguaio: "Maestro Emilio Verdesio" no seu livro Educação e Democracia, publicado no Uruguai em 1943:: "a universalização da educação básica nos estados democráticos tem no seu cerne o princípio da neutralidade". Para se obter a universalização dos conhecimentos básicos do cidadão a escola pública deve ser gratuita, obrigatória e laica. O que norteia a laicidade no Uruguai é o princípio de neutralidade religiosa, mas também a neutralidade política. Considerou-se na legislação da época (Lei de 9 de abril de 1909) como fundamental para existir a garantia de liberdade de cultos, que se respeite este princípio de neutralidade no ensino. Citando outra vez a Verdesio (1943): "os estados democráticos formados por cidadãos livres têm o direito de uma escola pública neutra. Os conhecimentos que devem ser ensinados numa escola pública, portanto são todos aqueles que são universalmente aceitos, não aqueles que fazem parte de dogmas religiosos ou políticos". Não pode, nem deve ser permitida, no ensino público, a pregação de qualquer religião ou ideologia política. Esta é a melhor forma de respeitar a individualidade, e a igualdade de direitos e obrigações das crianças, futuros cidadãos. As crianças não devem ser tratadas como futuros soldados ou pregadores de tal o qual ideologia ou religião. Cabe a esfera privada da família decidir se esta criança vai receber tal ou qual educação religiosa. Cito uma frase do Reformador da escola Pública do Uruguai: José Pedro Varela: "os que uma vez sentaram-se juntos, nas cadeiras de uma escola a qual pertenciam, usando do mesmo direito, habituam-se facilmente a considerarem-se iguais, a não reconhecer mais diferenças que as que resultam das aptidões e virtudes de cada um". Em 1885, Varela conseguiu que fosse aprovada a Lei de Educação Comum, a qual implantou as escolas públicas gratuitas, obrigatórias e laicas. No Brasil, a defesa da laicidade é mais recente, mas não menos importante e fonte de grandes discussões nos anos 30. Um dos principais defensores da laicidade foi Anísio Teixeira que assina, em 1934, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova e publica artigo comemorativo deste manifesto em 1984. Ali ele expressa o seguinte sobre a laicidade na educação pública: "A laicidade, que coloca o ambiente escolar acima de crenças e disputas religiosas, alheio a todo o dogmatismo sectario, subtrãe o educando, respeitando-lhe a integridade da personalidade em formação, com pressão perturbadora da escola quando utilisada como instrumento de propaganda de seitas e doutrinas". ( a ortografia é a usada na época) Muitas vezes, discutindo estes temas com colegas e amigos, escutei o argumento de que a religião é um fator importante na difusão de valores de respeito, de amor e de tolerância. Não acredito nesse argumento. A violência e a intolerância social se combatem com a certeza de que quem infringe as leis civis será punido pela lei dos homens, não pelas "Leis de Deus". Nos estados teocráticos é certo que, como Estado e religião se misturam, a Lei de Deus é a que pune através do Estado. Corta-se o dedo ou a mão do ladrão, apedreja-se até a morte a mulher infiel, etc. Será que vamos retroceder na história e voltaremos a ter um Estado orientado por idéias religiosas? A religião tem que continuar a ser um assunto privado e de escolha livre por parte de cada um. O Estado não deve promover, quer seja pela adoção de símbolos quer seja por meio de disciplinas escolares, uma ou outra religião. O Estado tem que estar mais presente por meio de uma Polícia e um Sistema de Justiça eficientes e universais, sem necessidade do apelo religioso. O Estado não deve criar espaços no ensino público para a pregação religiosa. Na enorme diversidade cultural e religiosa que existe no Brasil é impossível se chegar a um consenso de qual seria a religião que deveria ser ensinada. Para concluir, gostaria de expressar o meu sentimento de que acredito que a expansão da laicidade pode ser um agente importantíssimo de modernização no Brasil. Lamentavelmente, só ela não vai conseguir mudar a sociedade brasileira. A expansão da violência urbana e do narcotráfico, a proliferação de seitas evangélicas fundamentalistas entre os mais pobres, a crença de que a eleição de uma autoridade executiva paternalista solucionará todos os problemas são todos fenômenos brasileiros que têm a mesma origem: a pouca credibilidade dos ideais republicanos entre a maior parte da população. Ainda se acredita muito em milagres. Muitos integrantes dos grupos políticos que apoiaram a ascensão do atual governo acreditavam em milagre. Como o presidente não faz milagre, o abandonam e formam outro partido político. Mais filosofia, mais laicidade, menos messianismo ou populismo, esse é o caminho para um Brasil moderno. Nossa Constituição é laica, mas o preâmbulo faz menção a Deus e o faz de uma forma muitíssimo interessante: “Nós, representantes do povo, reunidos (...) sob a proteção de Deus (...)”. anacronismo existente na Constituição de 1988 que retrocede um século ao pedir a proteção de Deus no preâmbulo e elimina o caráter laico desta. tolerância ou de intolerância é problemática, pois se adota um paradigma propor que o termo “tolerância” fosse substituído por “transigência”, na medida em que quando trabalho com o termo “transigência” estou operando com concessões recíprocas, renunciando a um paradigma. dos cinco séculos de história do Brasil, quatro séculos foram vividos sob o Estado confessional. Mesmo a primeira Constituição da Monarquia, de 1824, nomeou a Igreja Católica Apostólica Romana como a igreja oficial do Estado, norma que irá vigorar até a Constituição da República de 1891 Estados confessionais, leigos e laicos exemplos de Estados confessionais, como o Irã, como o Iraque, boa parte dos países do Oriente Médio, alguns estados africanos; na Europa, a Itália e a Espanha, são casos, de certa forma, em que há uma certa ambigüidade do ponto de vista da relação que o Estado mantém com a Igreja Católica. a Constituição de 1988 fixou e adotou expressamente o princípio da separação entre Estado e Religião e o princípio do laicismo estatal no sentido de que o Estado brasileiro não professa nenhuma religião. no regimento interno da Câmara se prevê que à mesa da Câmara deve sempre haver à disposição do orador a Bíblia Sagrada. Câmara dos Deputados, quanto o regimento interno do Senado, mas também das Assembléias Legislativas dos Estados e das Câmaras de Vereadores, fazem menção a Deus e ao uso da Bíblia fixação de símbolos religiosos em repartições públicas a respeito do que seria a verdade religiosa ou os fundamentos da verdade religiosa. o Estado deve se abster de se pronunciar neste terreno, que é um terreno, um terreno absolutamente complexo, da relação que o indivíduo faz entre a perspectiva terrena e a prospecção ultraterrena. Estátuas, crucifixos, papéis colados etc. Só para se falar dos símbolos do cristianismo muçulmano e estava se sentindo constrangido pelo crucifixo que havia no local O erário, a receita pública, o recurso público e os tributos que vão sustentar materialmente o funcionamento do Estado não poderiam ser apropriados por uma confissão religiosa ou por outra evangélico e retirou da sala da presidência da Assembléia o crucifixo. - “uma casa de leis não é uma casa de oração”. Então, se o sujeito quer prestar devoção a uma divindade qualquer, ele o faça em templo destinado a isso ou em espaço privado a Constituição fala nos símbolos nacionais, há uma lei federal que disciplina quais são os símbolos nacionais e o crucifixo não está ali apropriação indevida do espaço público por interesses religiosos particulares e privados A Administração só pode fazer aquilo que a lei determina e não há lei que determine que o sujeito tenha de afixar um símbolo religioso qualquer numa repartição pública. Se o direito é de todos, então eu, como servidor público, posso deixar ali, sob o crucifixo ou ao lado de uma imagem católica qualquer a imagem de um pai de santo, negro, com velas e defumadores etc. Ou então poderia muito bem colocar lado a lado na mesma ordem a imagem de Maomé e Alá. a questão dos feriados. os feriados fala em feriados civis, feriados religiosos e feriados bancários feriados católicos. A Constituição refere uma única vez à palavra feriado, mas diz que o país deve celebrar aquelas datas que sejam de alta significação para os diferentes segmentos étnicos da população brasileira um muçulmano - para não me referir aos judeus, interpretação que seria uma assertiva preconceituosa - que queira abrir o seu comércio num feriado católico, que entenda que aquele feriado não tem nenhum significado para a etnia à qual ele pertence, poderia propor uma ação de inconstitucionalidade contra a lei que define o feriado ?

 
Versão para Impressão     



 Envie seu comentário abaixo
Nome: 
E-mail: 
Comentário: 
 Código de validação: 
8567
 
  FÁBULAS
CONTOS
CONTOS de FADAS
ARTIGOS
CRÔNICAS
  LENDAS
FOLCLORE
PARLENDA
TRAVA-LÍNGUAS
1001 PERGUNTAS
DiTADOS POPULARES
CHARADAS
PIADAS
MITOLOGIA GRECO-ROMANA
POESIAS
RELIGIÃO
BIOGRAFIAS
PARTITURAS
CANTINHO DO ALUNO
LOGIN / LOGOUT