OS TRES LEÕEZINHOS
Era uma vez, numa determinada floresta, uma leoa-mãe havia dado à luz 3 leõezinhos bem bonitinhos: O Rax, o Rix e o Rex. Um dia o macaco, representante eleito dos animais súditos, malandro e puxa-saco, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e...
 
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A HISTÓRIA DE UMA MÃE

de Hans Christian Andersen

adaptação: E. Pimentel

A Mãe estava sentada ao lado do berço do filhinho, muito triste e apreensiva, mão no rosto, temerosa de que ele morresse. A criança, pálida, parecia dormir e respirava fracamente.

Ouviu baterem à porta e viu entrar por ela, sem que lha abrissem, um aparentemente, pobre velhinho, andrajoso, envolto em um cobertor preto com forte cheiro de enxofre. Trazia na mão direita uma foice e, na esquerda, uma ampulheta (ampulheta -  antigo apetrecho, feito de vidro e com areia dentro, que, antes da invenção do relógio, servia para marcar o tempo / horas). Era pleno inverno e o velho parecia tremer de frio. A geada era forte. A Mãe ofereceu-lhe uma caneca de café quente e o convidou a sentar-se ao seu lado, na lareira, para se aquecer. A criança dormia e o velho aproximou-se, postou-se ao lado dela e ficou balançando o berço, fitando profundamente o menino doente que agora respirava com dificuldade.

 - Não acha que ele vai sarar e que ficarei com ele? – perguntou-lhe a mãe.

– Não crê que Deus Nosso Senhor não o irá tirar de mim? - complementou

O velho, que era a própria Morte, balançou a cabeça de uma maneira estranha que tanto podia significar “sim" como "não".

 

    A mãe, chorando, baixou os olhos e, como não pregava os olhos havia três dias, recostou-se a um canto e, exausta, cochilou. Depois de um breve instante acordou sobressaltada, tremendo de frio, e percebeu que o velho havia desaparecido com a criança.

Ah ! antes fosse um sonho, pensou a mãe, ou até mesmo um pesadelo. Mas não - era a mais pura realidade.

    Assim, a mãe saiu correndo de casa, gritando por seu filho e viu, lá fora, na escuridão, uma coisa esquisita, de longas asas, que  estava sentada no meio da lama, tentando alçar vôo.

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– A Morte esteve no seu quarto  – disse a coisa. Vi-a sair apressada, levando seu filho. Ela corre mais rápido que a luz e nunca traz de volta o que leva.

– Mostre-me apenas o caminho que ela tomou e irei em seu encalço, disse a mãe, aflita.

– Conheço o caminho, mas se quer que o ensine, terá de cantar para mim todas as canções de ninar que cantava para o seu filho. Gosto de ouvi-las. Sou a Noite.

– Cantarei todas – disse a Mãe. Mas não me detenha, pois preciso alcançar a Morte e recuperar o meu filho.

A Noite permaneceu em silêncio. A Mãe, então, começou a cantar todas as canções de ninar que conhecia. Eram muitas as canções. Terminou, e finalmente a Noite mostrou-lhe o caminho dentro do escuro pinheiral.Vollbild anzeigen E a Mãe embrenhou-se nele. 

Mas, no mais profundo do pinheiral o caminho bifurcava-se e ela, não sabendo para que lado seguir, tonta de sono e com os olhos já embaçados, perguntou a um arbusto espinhoso, sem folhas nem flores, com os galhos revestidos de gelo:

– Arbusto, por acaso não viu a Morte passar por aqui, levando meu filhinho ?

– Vi – respondeu o arbusto – mas só o direi se me aquecer junto ao seu coração. Estou morrendo de frio. Eu sou os espinhos da vida. Lá na Eternidade, para onde você vai,  reside a Morte.

Atendendo a proposta a mãe apertou o arbusto contra o peito, e os espinhos penetraram em sua carne. O arbusto reviveu e brotou, e cobriu-se de folhas verdes e de flores, tal era o calor que brotava daquele coração de Mãe. Ato seguinte, seguindo o caminho indicado por ele, a Mãe chegou a um grande lago onde o caminho acabava.

 Para atravessá-lo, tinha que sorver toda a sua água. A desesperada Mãe abaixou-se e começou a beber. Era impossível, mas esperava que, por milagre, pudesse fazê-lo.

– Nunca conseguirá beber-me – disse-lhe o grande lago. - É melhor fazermos um trato. Gosto de colecionar pérolas e seus olhos são as pérolas mais claras e lindas que já vi. Se me der seus olhos, poderei carregá-la até o outro lado, para a Eternidade, para a grande estufa onde mora a Morte. Lá, flores e árvores representam vidas humanas. Sem os olhos humanos e apenas com o coração você conseguirá ver na Eternidade.

– Tudo farei para chegar até onde está o meu filho, disse a Mãe. Pode ficar com meus olhos.

No mesmo instante seus olhos caíram no fundo do lago e se transformaram em pérolas, e o lago levou-a  no Barco de Caronte, rumo à Eternidade, até a margem oposta da vida.

E lá foram noite adentro para o outro lado da vida, para a Eternidade. Do outro lado a Mãe percebeu que havia uma caverna com porta estranha de seis metros de largura, seis de altura. O cheiro era horrível e o calor insuportável. 

Não se podia dizer ao certo se era uma montanha com lavas e cavernas ou se era uma parede de ferro. Lá dentro era quente e vermelho mais que um vulcão. Mas a pobre Mãe, como nada via, perguntou a uma coisa parecida com uma velha bruxa que cuidava da grande estufa da Morte:

– Onde acharei a Morte que levou o meu filho ?

– Ela ainda não chegou – respondeu a velha. - Como conseguiu vir até aqui? Quem a ajudou?

– Deus Nosso Senhor, que é todo misericordioso, me ajudou – disse a Mãe. Onde poderei encontrar meu filhinho?

– Não o conheço e você também não enxerga. Respondeu a velha. Muitas flores e árvores murcharam esta noite. A Morte não tardará a vir para transplantá-las. Deve saber que cada pessoa tem sua árvore da vida ou sua flor, conforme sua índole. Elas se parecem com as plantas comuns, mas têm um coração que pulsa. Também o coração das crianças bate! Guie-se pelas batidas, e talvez reconheça o coração de seu filho. Mas, o que me daria para eu lhe explicar o que ainda terá de fazer?

– Nada tenho para dar, respondeu a mãe mas por meu filho irei até o fim do mundo.

– Nada tenho para fazer lá – respondeu a velha bruxa – mas pode dar-me seus longos cabelos pretos que lhe direi. Como sabe, são muito belos. Em troca, receberá meus cabelos brancos. Sempre é alguma coisa.

    A Mãe fez o que a velha pediu e logo entrou com ela na grande estufa da Morte, onde flores e árvores cresciam em estranha promiscuidade. Cada árvore e cada flor tinha um nome, cada uma delas era uma vida humana espalhada pelo vasto mundo. A Mãe, angustiada, curvou-se sobre todas as plantas. Ouviu bater dentro delas corações humanos e, dentre milhões, reconheceu o de seu filho.

– Aqui está! – gritou, e estendeu a mão para um pequeno cravo vermelho, que pendia triste e murcho.

– Não toque na flor – disse a velha. – Fique aqui e, quando a Morte vier, não a deixe arrancar essa flor. Ameace-a de arrancar outras flores e ela ficará com medo, pois é responsável por elas perante Deus: nenhuma pode ser arrancada sem a permissão divina.

De repente, uma gélida rajada de vento e um forte cheiro de enxofre atravessou o espaço, e a Mãe sentiu que a Morte acabara de chegar.

– Como encontrou o caminho para vir até aqui? – perguntou a Morte. – Como pôde chegar mais depressa do que eu?

– Sou a Mãe – disse ela.

A Morte estendeu a longa mão para a flor cravo vermelho e a Mãe cobriu-a com as mãos. Mas a Morte soprou-as com um vento tão gélido que ficaram paralisadas, e elas tombaram sem forças.

– É inútil... Nada pode fazer contra mim – disse a Morte. – Sou o jardineiro. Tomo suas flores e suas árvores e as transplanto para o grande Jardim do Paraíso, na terra desconhecida. Não ouso, porém, dizer-lhe como crescem ali e o que se passa lá.

– Devolva meu filho! – implorou a Mãe.

Chorou e suplicou e, de repente, desesperada, agarrou duas flores, uma em cada mão.

– Vou arrancar todas essas flores! – gritou para a Morte. – Vou arrancá-las, pois estou desesperada.

– Não as toque! – disse a Morte – Afirma que é desgraçada, mas quer tornar outras mães lá no mundo tão desgraçadas quanto você...

– Outras Mães ?  Como assim... – gemeu a pobre mulher. E logo soltou as duas flores.

– Eis aqui seus olhos – disse a Morte, devolvendo-lhe a visão. Pesquei-os no lago, onde brilhavam com grande intensidade. Eu nem sabia que eram seus. Tome-os de novo. Estão mais claros do que antes. Agora olhe no interior daquele poço fundo - disse a Morte, apontando para um lado. Vou dizer-lhe o nome das duas flores que quis arrancar e verá o futuro delas, toda a sua vida humana. Verá o que estava prestes a arruinar.

A mulher olhou o fundo do poço. Era uma ventura ver como uma das vidas se tornava uma bênção para o mundo, ver quanta felicidade e alegria desdobrava-se ao seu redor. E ela viu a outra vida, repleta de penas e atribulações, de terror e de miséria.

– Uma e outra são resultado do Criador, da vontade de Deus – disse a Morte. – Direi, apenas, que uma das duas flores era a do seu filho. Viu o destino e o futuro do seu filho ?

A Mãe soltou um grito de susto.

–  Qual delas era a do meu filho? Diga-me! Liberte o inocente. Livre o meu filho de toda a miséria! Leve-o, será melhor. Leve-o ao reino de Deus! Esqueça minhas lágrimas, minhas súplicas, tudo quanto eu disse ou fiz!

– Não a entendo – retrucou a Morte. – Quer seu filho de volta, ou quer que o leve para o lugar que você não conhece?

A Mãe torceu as mãos e caiu de joelhos.

– Não me ouça! – suplicou a Deus. – Se o que peço é contra a Vontade Divina, que é sábia, não me ouça. Não me ouça!

Dito isso, baixou a cabeça.

Então a Morte afastou-se, levando o seu filho para a terra desconhecida. Para a eternidade.

LA HISTORIA DE UNA MADRE

Estaba una madre sentada junto a la cuna de su hijito, muy afligida y angustiada, pues temía que el pequeño se muriera. Éste, en efecto, estaba pálido como la cera, tenía los ojitos medio cerrados y respiraba casi imperceptiblemente, de vez en cuando con una aspiración profunda, como un suspiro. La tristeza de la madre aumentaba por momentos al contemplar a la tierna criatura.
Llamaron a la puerta y entró un hombre viejo y pobre, envuelto en un holgado cobertor, que parecía una manta de caballo; son mantas que calientan, pero él estaba helado. Se estaba en lo más crudo del invierno; en la calle todo aparecía cubierto de hielo y nieve, y soplaba un viento cortante.
Como el viejo tiritaba de frío y el niño se había quedado dormido, la madre se levantó y puso a calentar cerveza en un bote, sobre la estufa, para reanimar al anciano. Éste se había sentado junto a la cuna, y mecía al niño. La madre volvió a su lado y se estuvo contemplando al pequeño, que respiraba fatigosamente y levantaba la manita.
- ¿Crees que vivirá? -preguntó la madre-. ¡El buen Dios no querrá quitármelo!

El viejo, que era la Muerte en persona, hizo un gesto extraño con la cabeza; lo mismo podía ser afirmativo que negativo. La mujer bajó los ojos, y las lágrimas rodaron por sus mejillas. Tenía la cabeza pesada, llevaba tres noches sin dormir y se quedó un momento como aletargada; pero volvió en seguida en sí, temblando de frío.
- ¿Qué es esto? -gritó, mirando en todas direcciones. El viejo se había marchado, y la cuna estaba vacía. ¡Se había llevado al niño! El reloj del rincón dejó oír un ruido sordo, la gran pesa de plomo cayó rechinando hasta el suelo, ¡paf!, y las agujas se detuvieron.
La desolada madre salió corriendo a la calle, en busca del hijo. En medio de la nieve había una mujer, vestida con un largo ropaje negro, que le dijo:
- La Muerte estuvo en tu casa; lo sé, pues la vi escapar con tu hijito. Volaba como el viento. ¡Jamás devuelve lo que se lleva!
- ¡Dime por dónde se fue! -suplicó la madre-. ¡Enséñame el camino y la alcanzaré!
- Conozco el camino -respondió la mujer vestida de negro pero antes de decírtelo tienes que cantarme todas las canciones con que meciste a tu pequeño. Me gustan, las oí muchas veces, pues soy la Noche. He visto correr tus lágrimas mientras cantabas.
- ¡Te las cantaré todas, todas! -dijo la madre-, pero no me detengas, para que pueda alcanzarla y encontrar a mi hijo.
Pero la Noche permaneció muda e inmóvil, y la madre, retorciéndose las manos, cantó y lloró; y fueron muchas las canciones, pero fueron aún más las lágrimas. Entonces dijo la Noche:
- Ve hacia la derecha, por el tenebroso bosque de abetos. En él vi desaparecerél vi desaparecer a la Muerte con el niño.
Muy adentro del bosque se bifurcaba el camino, y la mujer no sabía por dónde tomar. Levantábase allí un zarzal, sin hojas ni flores, pues era invierno, y las ramas estaban cubiertas de nieve y hielo.
- ¿No has visto pasar a la Muerte con mi hijito?
- Sí -respondió el zarzal- pero no te diré el camino que tomó si antes no me calientas apretándome contra tu pecho; me muero de frío, y mis ramas están heladas.
Y ella estrechó el zarzal contra su pecho, apretándolo para calentarlo bien; y las espinas se le clavaron en la carne, y la sangre le fluyó a grandes gotas. Pero del zarzal brotaron frescas hojas y bellas flores en la noche invernal: ¡tal era el ardor con que la acongojada madre lo había estrechado contra su corazón! Y la planta le indicó el camino que debía seguir.
Llegó a un gran lago, en el que no se veía ninguna embarcación. No estaba bastante helado para sostener su peso, ni era tampoco bastante somero para poder vadearlo; y, sin embargo, no tenía más remedio que cruzarlo si quería encontrar a su hijo. Echóse entonces al suelo, dispuesta a beberse toda el agua; pero ¡qué criatura humana sería capaz de ello! Mas la angustiada madre no perdía la esperanza de que sucediera un milagro.
- ¡No, no lo conseguirás! -dijo el lago-. Mejor será que hagamos un trato. Soy aficionado a coleccionar perlas, y tus ojos son las dos perlas más puras que jamás he visto. Si estás dispuesta a desprenderte de ellos a fuerza de llanto, te conduciré al gran invernadero donde reside la Muerte, cuidando flores y árboles; cada uno de ellos es una vida humana.
- ¡Ay, qué no diera yo por llegar a donde está mi hijo! -exclamó la pobre madre-, y se echó a llorar con más desconsuelo aún, y sus ojos se le desprendieron y cayeron al fondo del lago, donde quedaron convertidos en preciosísimas perlas. El lago la levantó como en un columpio y de un solo impulso la situó en la orilla opuesta. Se levantaba allí un gran edificio, cuya fachada tenía más de una milla de largo. No podía distinguirse bien si era una montaña con sus bosques y cuevas, o si era obra de albañilería; y menos lo podía averiguar la pobre madre, que había perdido los ojos a fuerza de llorar.
- ¿Dónde encontraré a la Muerte, que se marchó con mi hijito? -preguntó.
- No ha llegado todavía -dijo la vieja sepulturera que cuida del gran invernadero de la Muerte-. ¿Quién te ha ayudado a encontrar este lugar?
- El buen Dios me ha ayudado -dijo la madre-. Es misericordioso, y tú lo serás también. ¿Dónde puedo encontrar a mi hijo?
- Lo ignoro -replicó la mujer-, y veo que eres ciega. Esta noche se han marchitado muchos árboles y flores; no tardará enno tardará en venir la Muerte a trasplantarlos. Ya sabrás que cada persona tiene su propio árbol de la vida o su flor, según su naturaleza. Parecen plantas corrientes, pero en ellas palpita un corazón; el corazón de un niño puede también latir. Atiende, tal vez reconozcas el latido de tu hijo, pero, ¿qué me darás si te digo lo que debes hacer todavía?
- Nada me queda para darte -dijo la afligida madre pero iré por ti hasta el fin del mundo.
- Nada hay allí que me interese -respondió la mujer pero puedes cederme tu larga cabellera negra; bien sabes que es hermosa, y me gusta. A cambio te daré yo la mía, que es blanca, pero también te servirá.
arte del mundo… parte del mundo. Había grandes árboles plantados en macetas tan pequeñas y angostas, que parecían a punto de estallar; en cambio, veíanse míseras florecillas emergiendo de una tierra grasa, cubierta de musgo todo alrededor. La desolada madre fue inclinándose sobre las plantas más diminutas, oyendo el latido del corazón humano que había en cada una; y entre millones reconoció el de su hijo.
- ¡Es éste! -exclamó, alargando la mano hacia una pequeñ
- ¿Nada más? -dijo la madre-. Tómala enhorabuena -. Dio a la vieja su hermoso cabello, y se quedó con el suyo, blanco como la nieve.

Entraron entonces en el gran invernadero de la Muerte, donde crecían árboles y flores en maravillosa mezcolanza. Había preciosos, jacintos bajo campanas de cristal, y grandes peonías fuertes como árboles; y había también plantas acuáticas, algunas lozanas, otras enfermizas. Serpientes de agua las rodeaban, y cangrejos negros se agarraban a sus tallos. Crecían soberbias palmeras, robles y plátanos, y no faltaba el perejil ni tampoco el tomillo; cada árbol y cada flor tenia su nombre, cada uno era una vida humana; la persona vivía aún: éste en la China, éste en Groenlandia o en cualquier otra pa flor azul de azafrán que colgaba de un lado, gravemente enferma.
- ¡No toques la flor! -dijo la vieja-. Quédate aquí, y cuando la Muerte llegue, pues la estoy esperando de un momento a otro, no dejes que arranque la planta; amenázala con hacer tú lo mismo con otras y entonces tendrá miedo. Es responsable de ellas, ante Dios; sin su permiso no debe arrancarse ninguna.
De pronto sintióse en el recinto un frío 
que el del viento polar. Y sus manos cedieron y cayeron inertes.

- ¡Nada podrás contra mí! -dijo la Muerte.
- ¡Pero sí lo puede el buen Dios! -respondió la mujer.
- ¡Yo hago sólo su voluntad! -replicó la Muerte-. Soy su jardinero. Tomo todos sus árboles y flores y los trasplanto al jardín del Paraíso, en la tierra desconocida; y tú no sabes cómo es y lo que en el jardín ocurre, ni yo puedo decírtelo.
- ¡Devuélveme mi hijo! -rogó la madre, prorrumpiendo en llanto. Bruscamente puso las manos sobre dos hermosas flores, y gritó a la Muerte:

- ¡Las arrancaré tglacial, y la madre ciega comprendió que entraba la Muerte.
- ¿Cómo encontraste el camino hasta aquí? -preguntó.- ¿Cómo pudiste llegar antes que yo?
- ¡Soy madre! -respondió ella.
La Muerte alargó su mano huesuda hacia la flor de azafrán, pero la mujer interpuso las suyas con gran firmeza, aunque temerosa de tocar una de sus hojas. La Muerte sopló sobre sus manos y ella sintió que su soplo era más frío 
profundo pozo que está a tu lado; te diré los nombres de las dos flores que querías arrancar y verás todo su porvenir, todo el curso de su vida. Mira lo que estuviste a punto de destruir.

Miró ella al fondo del pozo; y era una delicia ver cómo una de las flores era una bendición para el mundo, ver cuánta felicidad y ventura esparcía a su alrededor.
La vida de la otra era, en cambio, tristeza y miseria, dolor y privaciones.
- Las dos son lo que Dios ha dispuesto -dijo la Muerte.
- ¿Cuál es la flor de la desgracia y cuál la de la ventura? -preguntó la madre.

- Esto no te lo diré -contestó la Muerte-. Sólo sabrás que una de ellas era la de tu hijo. Has visto el destino que estaba reservado a tu propio hijo, su porvenir en el mundo.das, pues estoy desesperada!
- ¡No las toques! -exclamó la Muerte-. Dices que eres desgraciada, y pretendes hacer a otra madre tan desdichada como tú.
- ¡Otra madre! -dijo la pobre mujer, soltando las flores-. ¿Quién es esa madre?
- Ahí tienes tus ojos -dijo la Muerte-, los he sacado del lago; ¡brillaban tanto! No sabía que eran los tuyos. Tómalos, son más claros que antes. Mira luego en el
La madre lanzó un grito de horror: – ¿Cuál de las dos era mi hijo? ¡Dímelo, sácame de la incertidumbre! Pero si es el desgraciado, líbralo de la miseria, llévaselo antes. ¡Llévatelo al reino de Dios! ¡Olvídate de mis lágrimas, olvídate de mis súplicas y de todo lo que dije e hice!
- No te comprendo -dijo la Muerte-. ¿Quieres que te devuelva a tu hijo o prefieres que me vaya con él adonde ignoras lo que pasa?
La madre, retorciendo las manos, cayó de rodillas y elevó esta plegaria a Dios Nuestro Señor:
- ¡No me escuches cuando te pida algo que va contra Tu voluntad, que es la más sabia! ¡No me escuches! ¡No me escuches!
Y dejó caer la cabeza sobre el pecho, mientras la Muerte se alejaba con el niño, hacia el mundo desconocido.

Fin

 

 
Versão para Impressão     
   
Nome:   tatiana rott de oliveira
Comentário:  MUITO LINDO MESMO, me levou as lágrimas, sou mãe de anjo e sei bem como a mãe desse lindo conto se sentiu.
   
Nome:   gislaine
Comentário:  muito linda esse conto
   
Nome:   ROSANGELA AP SILVA
Comentário:  sem comentarios, somente para estudo



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